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Ex-modelo leva “loja de shopping” para a Rocinha

Por Marco Aurélio Canônico

Na principal via da Rocinha, a cerca de um quilômetro da entrada da favela, uma loja de roupas chama a atenção por seu letreiro, que indica uma inusitada conexão: New York (em inglês mesmo), Paris, Milão, Rocinha.

É uma jogada de marketing: a loja -Because, nome que os locais pronunciam de forma abrasileirada- não tem franquias internacionais; tem, no entanto, a ideia de levar ao morro um tipo de roupa mais parecido com o que se encontra nos shoppings do asfalto.

“Você anda aqui e todas as lojas têm o mesmo produto, que vem de feirinhas, confecções pequenas. Fui buscar coisas alternativas, a partir da entrada que eu tinha com a galera da moda”, afirma a ex-modelo Pollyana Simões, 35, que abriu a loja em sociedade com um primo.

Inaugurada em outubro, um mês antes do processo de pacificação da Rocinha, ela funciona como uma ponta de estoque: vende coleções antigas (calças, bermudas, camisetas e moda praia em geral) de marcas conhecidas como a Sandpiper (a principal fornecedora).

SEM FUNK

A maior parte dos itens, organizados em um espaço de 80m², custa entre R$ 30 e R$ 60. Mais do que os preços, no entanto, Pollyana diz que é o estilo do local que chama a atenção dos consumidores.

“O cara entra numa loja que tem um outro tipo de ambiente, aqui é proibido tocar funk, a gente joga essência para ter um cheirinho”, explica. “As pessoas entram e falam ‘abriu loja de shopping aqui’.”

Moradora de São Conrado (um dos bairros mais caros do Rio, onde está a Rocinha), a proprietária diz que sua clientela é, como a própria composição da favela (69 mil habitantes, segundo o IBGE), bastante eclética, mas identifica um perfil predominante em seu consumidores.

“Eu sinto que atendo a elite da Rocinha, uma galera que fala bem, se veste bem, que é extremamente educada. Você sente a diferença. Talvez seja pela aparência da loja, tem gente que passa e nem entra, porque acha que é muito cara.”

CANTADAS

Antes da ocupação da favela, em 13 de novembro passado, a Because chegou a receber um público menos selecionado -traficantes armados passaram lá para conhecer e compraram produtos como bermudas e bonés. Segundo a ex-modelo -que também foi badalada promoter de festas na noite carioca-, a única diferença notável após a pacificação foi no número de cantadas. “Antes, você podia usar uma saia minúscula e ninguém mexia, era a lei do morro. Depois, passei a ouvir uns ‘psiu’, inclusive de policiais.”

Questionada sobre os investimentos feito na loja, Pollyana não cita números, mas afirma já ter recuperado boa parte do que investiu. “Outubro foi um mês que bombou, conseguimos repor quase tudo o que gastamos para montar a loja. O resto é estoque, que você vai vendendo e pagando.” Funcionando diariamente, das 9h às 21h, a Because da Rocinha emprega sete pessoas e, em dois meses de operação, já vende “quase o dobro” das demais filiais, que ficam em outras duas favelas cariocas, Terreirão (Recreio) e Rio das Pedras (Jacarepaguá), ambas na zona oeste.

“A Rocinha, pelo tamanho [69 mil habitantes, segundo o IBGE], tem movimento o dia inteiro, o que dá um giro muito grande”, diz Pollyana. “Quando eu digo para os meus amigos que estou com uma loja aqui, eles batem palmas. Me dizem que eu vou explodir de ganhar dinheiro. As marcas estão subindo o morro, a tendência é essa.”

Fonte: Folha.com
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