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Entrevista com Maurício Ghetler, consultor na MG Systems

Mauricio Ghetler é consultor na MG Systems. Especializado em pagamentos móveis, foi consultor especial para mobile payment na Febraban.

“Nas aplicações móveis, podemos sempre mixar tecnologias de modo a atingir o grau de segurança mais adequado, eliminando as vulnerabilidades conforme elas são detectadas.”

Sebrae – Quais os tipos de pagamentos móveis que existem no mercado e qual a tecnologia mais utilizada?
Maurício Ghetler – Hoje existe uma infinidade de modelos de pagamento móvel no mercado, principalmente baseados em wallets (carteiras). Todos dependem de alguma aplicação e de algum modelo de mensagens de pagamento. As aplicações são, geralmente, pré-instaladas no SIM Card (em desuso); instaladas via OTA (usualmente J2ME, ainda em uso e Brew, que já sumiu); baixadas da *Store compatível com o modelo de Smartphone do usuário (Android, iPhone, Windows Phone, Blackberry por ordem de market share no momento). Como modelo de mensageria para transporte de dados e confirmação de transações também temos diversas opções, entre os quais SMS puro e simples (ainda bastante usado, pois agrada as operadoras); radio frequência de curta distância (NFC principalmente); e modelos proprietários, encriptados ou não (ocupando a banda de dados, GPRS/CDMA a 4G).

Sebrae – Há previsão para o início do uso da tecnologia NFC em celulares no Brasil?
 Maurício Ghetler – A tecnologia NFC está presente nativamente em diversos modelos de smartphones já comercializados no Brasil, isso independe da vontade de operadoras ou bancos, é decisão do fabricante. Pode-se considerar que aparelhos novos Android ou Windows Phone já têm NFC em seu projeto e provavelmente o iPhone terá em breve, bastando habilitar e passar a usar tal recurso. Sobre isso ser utilizado no Brasil, é importante entender que, além das aplicações usarem o chip NFC, ele é essencialmente uma tecnologia de contato voltada ao mundo físico. Em outras palavras, é necessário montar uma rede de captura de transações, em substituição ou adição à já existente no varejo. Faço algumas perguntas. Quem fará este investimento? Se realizado o investimento por um patrocinador, a rede será compartilhada por outros aplicativos? Se sim, a que custo? E, se a tecnologia móvel for usada em outros ambientes (por exemplo, internet), de que serviu o NFC? Não é só o Brasil que não tem resposta a essas perguntas. Nos  Estados Unidos, se você deseja usar pagamentos com o Google Wallet (que usa NFC), sugiro tentar um táxi em Nova Iorque, pois nos outros 99,9% dos pontos do varejo essa opção não é sequer aceita. Perceba que estamos falando da dupla Google e Citi, quem será mais forte para conseguir disseminar esse padrão?

Sebrae – Quais são as facilidades de se utilizarem tecnologias como NFC e Bluetooth para pagamento?
Maurício Ghetler – Usar o NFC é fácil, rápido e razoavelmente seguro, desde que você encontre um dispositivo que aceite NFC no varejo e ele aceite “fundos” da sua “carteira eletrônica” proprietária. Sobre Bluetooth, é francamente ficção científica. Não obstante o tempo para realizar o “emparelhamento” de dispositivos (celular-celular ou celular-device genérico) requerido a cada transação, a tecnologia é frágil em termos de segurança (quando muito tem um PIN) e é aberta a todos os que estiverem próximos.

Sebrae – Estas transações são seguras?
Maurício Ghetler – Em relação a quê? Pergunto isso porque, se compararmos com tarja magnética de cartão ou com a exposição de dados de cartão na internet, qualquer dessas transações e tecnologias é muito mais segura. Existem brechas em todas as tecnologias já inventadas e que hoje são usadas em aplicações móveis. Mas, ao contrário do cartão, que é praticamente “puro hardware” em que não podemos fazer upgrade ou recall de um dia para o outro, as aplicações móveis e os seus modelos de comunicação são praticamente “puro software”, em que podemos fazer upgrade de um dia para o outro. Claro, além do exposto, nas aplicações móveis, podemos sempre mixar tecnologias de modo a atingir o grau de segurança mais adequado, eliminando vulnerabilidades conforme elas são detectadas.

Sebrae – Como essas transações podem afetar a micro e a pequena empresa?
Maurício Ghetler – O empresário pode expandir os modelos de pagamentos que recebe e essa concorrência é salutar, pois traz menores tarifas por produtos de pagamento tecnicamente melhores que os atuais. Claro, a escala traz menores tarifas e, nesse caso, o pequeno e médio sempre terá tarifas ligeiramente superiores aos grandes, não dá para mudar essa lei da economia. Em adição: alguns modelos de pagamento serão regionais, o que poderá representar melhor acesso a clientes de algumas comunidades; existem modelos de pagamento em desenvolvimento que poderão baratear a divulgação, confirmação de pagamento e delivery de produtos e serviços de pequenas e médias empresas no futuro. Desse modo, elas poderão prescindir de call centers e de estruturas caras na internet para realizar a venda massificada a distância, equiparando-se a grandes empresários em vários cenários.

Sebrae – Com essa tecnologia, os atuais cartões de crédito e débito, além dos caixas 24 horas, irão desaparecer?
Maurício Ghetler – Cartões têm um market share muito grande e razões concretas para existir. Cartões de crédito são um modelo conveniente de obtenção de financiamento de compras sob demanda, a maioria das aplicações móveis ainda não eliminam essa linha de crédito, somente expandem-na para o ambiente móvel. Sobre os cartões de débito, sofrerão rapidamente a concorrência dos wallets, pois estes são muito bons, rápidos e alguns já são ligados nativamente aos bancos, como alternativa ao cartão de débito. Claro, tanto cartões de crédito quanto de débito podem desaparecer um dia, frente à concorrência e à evolução natural dessas aplicações móveis, mas isso não ocorrerá nesta década, o mercado não se move tão rapidamente. Os caixas 24, por sua vez, só desaparecerão quando desaparecer o dinheiro. Poderemos acioná-los por meio de um cartão, de um requisito biométrico ou mesmo de uma aplicação móvel, mas é a necessidade de dinheiro vivo que os manterá vivos.

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